|
||
|
ENTREVISTA EXCLUSIVA - EDUARDO PALHARES NO JORNAL DA CIDADE Eduardo Palhares é uma pessoa muito ocupada. Tanto que a entrevista ao “Jornal da Cidade” teve que ser remarcada três vezes. Mas nesta semana ele recebeu a equipe de reportagem. A entrevista foi em sua sala, no 7º andar da DAE/SA de Jundiaí. Palhares não fugiu de nenhuma pergunta e respondeu tudo sobre a situação do Paulista. Ele apenas se negou a falar de política, mas esclareceu tudo o que se passa com a parceria do clube, revelou que Pelé estará em Jundiaí no início do ano que vem e admitiu que a diretoria jundiaiense errou ao contratar os técnicos Marcelo Veiga e Waldemar Lemos. Palhares também tranquilizou o torcedor jundiaiense e disse que mesmo na Série C os investidores vão dar mais dinheiro ao clube, o que renderá melhores contratações. Escrito por Marcel Capretz às 21h59
[]
[envie esta mensagem]
JC: Caso esses jogadores saiam, o Paulista não vai ganhar nada, apenas o Campus Pelé... EP: Mas mesmo assim não se pode dizer de jeito nenhum que o Paulista vai virar um balcão de negócios. Talvez o Paulista seja o único clube do Brasil de porte médio que tenha passado pela auditoria que passamos. Em nossa história nunca tivemos uma administração, seja na categoria de base, no time de cima e na própria gestão, tão profissional quanto a que estamos tendo agora. Nós da diretoria nunca estaremos longe da administração do Paulista de uma maneira geral. É bom que se saliente que o clube não está sendo preparado para ter uma estrutura que venha a ser utilizada para a elaboração de um projeto em que jovens jogadores sejam descobertes e que esses valores sejam apenas vendidos mais tarde. JC: Mas não preocupa ao Sr. o fato do Paulista estar sendo a vitrine para esses jogadores e em caso de uma venda não ganhar nada? EP: Mas nós também estamos ganhando. Se esses jogadores trouxerem lucro, esse lucro virá também para o Paulista. De uma maneira geral, o gerenciamento de todas as contas está sendo feito dentro desse acordo de cooperação técnica. Volto a repetir: está sendo colocado dinheiro para que todas as nossas dívidas sejam saldadas. Havia dívidas que não tínhamos como pagar. Quem é que pagou tudo isso? Então eu não tenho a menor dúvida de que quanto mais lucro existir com a venda de jogadores, nós também vamos ganhar. JC: Até para o torcedor entender, então, o que está mudando na prática com a parceria? O Sr. citou bastante que as dívidas foram saldadas, mas dentro de campo a torcida viu o time piorar e ter grandes chances de retornar à terceira divisão do futebol brasileiro. EP: Nós temos uma equipe de futebol que está prestes a completar 100 anos e o que se vê hoje é uma das pilastras de um projeto fantástico. Vários clubes se pontuaram para ser escolhidos e graças a Deus fomos nós por termos menos problemas financeiros, por ter uma casa mais em ordem. Dentro do Paulista está sendo implantado um projeto para termos uma das quatro melhores estruturas do país. Nós teremos um centro de treinamento de excelência, uma administração extremamente segura para termos a devida competência para gerir o futebol. Paradoxalmente, no ano em que estamos melhor administrativamente, nós estamos encontrando dificuldades em campo. JC: O que aconteceu, então, para o time estar tão mal? Primeiro: a perda de um técnico que estava há mais de três anos. E vale lembrar que nos últimos quatro anos e meio nós tivemos apenas dois técnicos: Vagner Mancini e Zetti. Sempre dentro de um mesmo perfil. A escolha que foi feita pela diretoria do Paulista em comum acordo com o Campus Pelé de trazer depois do Mancini um técnico (Marcelo Veiga) que, vale dizer, é vencedor, fez um brilhante Campeonato Paulista e está prestes a levar o Bragantino de volta à Série B, não foi a mais correta. A estrutura do Paulista é muito maior que a do Bragantino e talvez o Marcelo Veiga não tenha tido um conhecimento muito grande do que poderia acontecer com ele. Depois, sim, nós trouxemos um técnico (Waldemar Lemos) que tinha o mesmo perfil do Mancini, mas que não tinha a mesma firmeza que ele. O tempo de permanência do Waldemar talvez tenha sido um pouco longo, ele poderia ter saído a algumas rodadas e isso pode ter nos atrapalhado um pouco. Mas com o Marcus Vinícius voltamos a nossa filosofia de um comando mais firme e com isso teremos mais sorte do que tivemos com os outros dois técnicos. JC: Qual o prejuízo que o time terá caso seja rebaixado para a terceira divisão? Haverá algum problema com a parceria? EP: Pelo contrário. Nós já teremos um aumento de orçamento para o ano que vem. Será investido um valor maior do que o investido neste ano. JC: ...esse valor será aplicado de que forma? Em contratações? EP: Não abriremos mão do nosso teto salarial, mas posso afirmar que vamos ter mais jogadores de qualidade, por termos mais dinheiro. Escrito por Marcel Capretz às 21h58
[]
[envie esta mensagem]
JC: O Luiz Roberto Raymundo, o Pitico, continua sendo o vice-presidente do Paulista, mas ele agora não exerce efetivamente nenhuma função no clube. Por que isso aconteceu? EP: O Pitico é uma das figuras da diretoria que mais conhece de futebol. Mas dentro do que está acontecendo, na planificação da parceria, havia algumas situações em que eram registradas certas divergências. Mas o Pitico continua conosco. Nessa semana mesmo, ele participou comigo de uma reunião com a cúpula do Banco Fator. JC: O que é tratado nessas reuniões? EP: Falamos de tudo nessas reuniões. De questões financeiras, do time dentro de campo. São reuniões periódicas. JC: É sempre você e o Pitico que participam dessas reuniões? EP: Às vezes. Quando o assunto é pertinente a alguma área específica pode participar outra pessoa. O Eduardo Pereira, diretor de patrimônio, o Beto Rappa, superintendente, Vanoil, segundo vice-presidente, enfim, quase todos já participaram. JC: O Pitico e o Sr. mesmo, disseram com muita veemência no começo do ano que o empresário de futebol Nenê Cardoso estaria em breve excluído de Jayme Cintra. Isso aconteceu? EP: Sim. Nós temos nos precavido mais; fazendo contratos diferentes com os jogadores. É claro que não temos como tirar todos os empresários do clube, mas estamos expelindo aqueles que são nocivos. Os próprios empresários sabendo da nossa administração que é séria, evitam assediar jogadores do Paulista. JC: O caso do jogador Luiz Henrique foi esporádico? EP: Não temos a confirmação de que há algum empresário por trás dele. Foi o sindicato dos atletas que oficialmente o orientou. Nós propusemos um aumento salarial, integrá-lo ao elenco de cima e ele não quis. Vamos ver o desenrolar do caso. JC: Criou-se muita expectativa quanto à vinda do Pelé a Jundiaí. Quando ele virá? EP: A vinda do Pelé foi um dos temas das nossas últimas reuniões. No primeiro quadrimestre do ano que vem ele deve estar em Jundiaí. Escrito por Marcel Capretz às 21h57
[]
[envie esta mensagem]
JC: Alguns membros do conselho do Paulista reclamam que o contrato de parceria não foi mostrado e aprovado... EP: Claro que foi. Convocamos reuniões, temos ata, tudo documentado. Todos sabem exatamente o que diz o contrato. JC: Por que não há sócios no clube? EP: Você diz abrirmos algo social? JC: Não. Sócios como há nos outros clubes, com oposição e tudo mais. EP: Temos 80 sócios no clube. Conselheiros, vitalícios, enfim, tudo conforme manda o estatuto. JC: No dia 30 de outubro, o JC divulgou que havia um outro grupo interessado em fazer parceria com o Paulista e que propunha a criação de um estádio para sediar a Copa de 2014. Você poderia falar sobre isso? EP: Não havia nenhum outro grupo interessado em fazer parceria com o Paulista. Isso não existe... JC: ...mas o próprio presidente do conselho do Paulista, Djair Bocanella, confirmou ao JC que havia outro grupo (neste momento da entrevista, Eduardo Palhares liga para Bocanella, que diz que esse grupo queria construir apenas uma arena esportiva). EP: Eu volto a dizer que havia investidores interessados nessa construção da arena, mas isso nada tem a ver diretamente com o Paulista. A cidade de Jundiaí tem tudo para abrigar uma arena de sucesso. Estamos próximos de grandes rodovias como a Anhanguera e a Bandeirantes, temos uma grande rede hoteleira, um sistema hospitalar no nosso entorno muito eficiente, enfim, condições para trazer um show internacional, as próprias indústrias do nosso parque vão poder fazer suas conferências lá, enfim, o projeto envolve uma arena multiuso. Escrito por Marcel Capretz às 21h55
[]
[envie esta mensagem]
JC: O SR. continua acreditando que Jundiaí pode ser uma sede da Copa de 2014? EP: Não tenho dúvidas que temos grandes chances de pelo menos ser subsede. A cidade de São Paulo será sede e tem totais condições de abrigar um jogo de abertura e uma semifinal. Foram indicadas as capitais de Estado para serem sedes. Os outros projetos, como o de Jundiaí, Barueri e Campinas foram guardados. Mas o que pode acontecer, não estou dizendo que necessariamente vá acontecer, é que dentro da análise conjuntural, essas capitais possam apresentar algum tipo de problema na área ambiental e até de segurança e serem descartadas. Inclusive nós estamos pontuando na Federação Paulista de Futebol que uma arena em Jundiaí seja algo para abrigar um jogo de campeonato estadual, um clássico do Brasileiro. JC: Existe essa aproximação com a Federação Paulista de Futebol? EP: Claro. Pode ser que até seja mais próximo para um torcedor da capital vir até Jundiaí do que se locomover dentro da cidade de São Paulo. Queremos um estádio para os times paulistas. JC: Mas já não existe isso em Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Limeira? EP: Sim, mas essas cidades estão distantes da capital. Além disso, Jundiaí é uma cidade, por exemplo, que apresenta 100% de abastecimento de água na zona rural e urbana. Nós temos, ao redor de Jundiaí 10 milhões de famílias com renda superior a 10 salários mínimos por mês. Em nível de segurança, nós ficamos em segundo lugar, atrás apenas de Brasília. JC: De que forma o Paulista está envolvido nesse projeto de sediar a Copa? EP: Está envolvido da maneira que é o time da cidade. Nós não vamos deixar de jogar em Jayme Cintra, independente do que acontecer. Mesmo porque nosso público não é grande no estádio. Mas de repente vamos fazer um jogo contra o Corinthians em que a previsão é de 30 mil, 40 mil pessoas e o Paulista pode sediar um jogo na arena. Mas quero deixar claro e fica até a mensagem que mesmo Jundiaí não sendo escolhida como sede e essa arena não ser construída está plantada uma semente. E se essa semente não der frutos agora, com certeza ela dará mais tarde. JC: Você é presidente do DAE S/A e do Paulista Futebol Clube, duas instituições que exigem muita dedicação. Como é conciliar tudo? EP: Não vou dizer que é fácil. Mas quando fazemos algo por paixão, cientes da nossa contribuição, as coisas fluem melhor. JC: O Sr. pretende presidir o Paulista até quando? (Palhares assumiu a presidência do clube em 1998). EP: Meu mandato vai até 2010 e há a possibilidade de mais uma reeleição por quatro anos. Até os meus diretores acharem que posso contribuir com o clube sigo minhas atividades. Escrito por Marcel Capretz às 21h54
[]
[envie esta mensagem]
|
||