Blog do Marcel Capretz


ENTREVISTA COM GIBA

Giba tem 45 anos. Com essa idade, é considerado novo no mundo dos treinadores de futebol. Mas ele já rodou bastante...em Jundiaí tem conquistas que ninguém esquece: foi campeão da Copa SP de Juniores em 1997, da Série A-2 do Paulistão e do Brasileiro da Série C em 2001.
Em 2008, Giba começa a construir outro marco importante: tirou o time da zona de rebaixamento e, o mais importante: trouxe alma a um elenco que estava entregue após cair para a terceira divisão. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, Giba afirma que ainda não pensa se vai ou não ficar para, assim como em 2001, levar o Galo à Série B do futebol brasileiro. Mas ele afirma com convicção: o Paulista não será rebaixado no campeonato estadual.
  

Muitos apontam você como o maior responsável pela melhora do Paulista.
Você vê dessa forma
?

Em partes, sim. Mas o principal fator é o desempenho dos atletas. Se eles não assimilassem a proposta de trabalho que eu propus, nada daria certo. Eu coloquei uma proposta a eles e todos assimilaram. Até porque quem joga é o atleta e não o treinador.

Qual foi essa proposta que você passou e eles assimilaram?

Primeira coisa, mudar o esquema; eu não gosto do 3-5-2 e acho que ele não funciona.
Esse negócio de ala não é comigo; eu até brinco com os jogadores de que quem gosta de ala é árabe; eu trabalhei lá e eles falam sempre “ala, ala, ala”. 
Eu joguei 17 anos de lateral e conheço a posição. Eu coloquei o Paulista com duas linhas de quatro, segurei os laterais e centralizei os volantes. Comigo, o Jairo é volante e não um terceiro zagueiro.

Inclui-se nisso, também, a saída do Dema e a troca de posição do Marco Aurélio, de lateral para meia?

Olha, o Réver é um jogador que tem velocidade, é bom na bola alta e sabe sair jogando. O Dema é mais de destruição, bom também na bola aérea, mas o Réver tem uma saída de bola melhor e eu precisava disso. Já o Marco Aurélio trabalhou comigo antes e a posição de origem dele é na meia. Apenas mexi nisso, pois não tínhamos ninguém para jogar ao lado do Ricardinho.

Pouco a pouco, você foi moldando o elenco; dispensou alguns jogadores
e foi buscar outros. Isso foi algo pensado? A diretoria participou?


As mudanças acontecem quando você vai conhecendo melhor o elenco;
por xemplo, o Marcelo Toscano é um grande jogador, mas estava um pouco inseguro;
o Éverton eu já tinha visto jogar no Grêmio, o Neto Baiano está em uma fase maravilhosa, o Júlio César vem entrando muito bem.
Ou seja, observando os atletas nós montamos um setor ofensivo...

...os dirigentes do Paulista chegaram a declarar que aguardavam uma lista de reforços do ex-técnico Marcus Vinícius e essa lista continha apenas atletas inviáveis.
Você, por exemplo, foi buscar jogadores que até então não estavam na pauta...


...tenho uma vivência no futebol. Mas, também, não quero nenhum mérito para mim. Poxa, o Tiago Tremonte, o Capixaba, o Evandro, enfim, são atletas de categoria e que vieram nos reforçar. Ainda temos um elenco enxuto, mas com condições de ficar bem distante da zona de rebaixamento.

Em várias entrevistas desde que você chegou, percebia-se um grande
otimismo de sua parte. De onde veio isso?


Da minha experiência.

Dê mais detalhes, por favor.

Vou ser bem sincero com você: a maioria dos times hoje no Brasil é desorganizado. Basta um pouco de trabalho tático para o resultado aparecer. Futebol é engenharia de espaços. Quando eu falo que eu quero ver o meu time jogando, muita gente não entende. É isso: quero que os laterais defendam e ataquem no tempo certo, os volantes ocupem os espaços e que todos os jogadores marquem quando não tiverem a bola. Apresentei isso aos jogadores, eles assimilaram, como eu já disse, e felizmente estamos fora da zona de rebaixamento. Mas, também, não podemos vacilar: estamos só um ponto na frente do 17º colocado.


Você acha que ainda dá para chegar no G4?

Olha, esse campeonato está muito nivelado. A diferença de pontos que separam os times da zona de rebaixamento dos da zona de classificação é muito pequena. Mas agora vivemos uma situação crítica do trabalho: melhoramos reconhecidamente, atuamos bem contra o São Paulo, mas estamos apenas a um ponto dos quatro últimos. Não podemos vacilar. Os nossos concorrentes diretos são o Sertãozinho, o Juventus, o Marília, o próprio Guarani. Temos que ter consciência e afastar logo qualquer possibilidade de rebaixamento.

Você se sente em casa no Paulista?

Me sinto, sim. Sei como funcionam as coisas por aqui. O torcedor, a diretoria e a própria imprensa querem sempre ver o time jogando bem. Em outras cidades se você der chutão o tempo inteiro e vencer estará tudo bem; aqui é diferente. Entendo isso e gosto daqui. Com certeza, fica mais fácil trabalhar assim.

O maior desejo da torcida do Paulista é que você fique para o Campeonato Brasileiro da Série C.
Isso pode acontecer?


Confesso a você que não estou pensando nisso ainda. Meu foco hoje está apenas no Campeonato Paulista.

Mas você não descarta essa possibilidade?

Não descarto, não.

Se você estivesse aqui no ano passado, o time cairia para a terceira divisão?

Não tem como saber disso. Mas se eu não tivesse vencido o Paulista aqui o time não teria sido rebaixado (Giba era o técnico do São Caetano, quando a equipe do ABC venceu o Paulista por 1 a 0 jogando em Jayme Cintra no ano passado pela Série B).

Você concorda que evoluiu muito como treinador desde que saiu do Paulista em 2001?

Claro que concordo. Treinador de futebol precisa de tempo. Não se é técnico da noite para o dia, apenas com um diploma de baixo do braço. Eu tive que penar muito. Disputei toda uma Série A-2 do Campeonato Paulista, passei por diversos clubes; enfim, tudo isso faz com que se cresça como profissional. E tenho certeza que daqui há dez anos estarei ainda melhor.

Desde saída do Vágner Mancini, o Paulista não se acertou com nenhum outro treinador.
Você é o primeiro que dá provas concretas de que a equipe está no caminho certo. Isso te deixa satisfeito?


Deixa sim. Até porque tenho uma identificação com o clube. Tudo isso conta muito.

Qual foi o seu melhor momento após ter deixado Jundiaí?

Ah...muitas vezes um trabalho não pode ser considerado bom apenas quando se ganha um título.
Em 2006, por exemplo, salvamos o Remo do rebaixamento com uma aproveitamento de pontos no segundo turno maior até do que o do Atlético-MG que foi campeão.
No Santa Cruz, também, em 2005 não fomos campeões pernambucanos apenas porque perdemos um penalti.
Enfim, tive muitas alegrias e evolui muito.


 Escrito por Marcel Capretz às 15h27 [] [envie esta mensagem]






Diretoria do Paulista já pensa em marketing para o centenário

O Paulista completa cem anos apenas no ano que vem, mas a diretoria do clube já está elaborando projetos para comemorar a data. O próprio presidente, Eduardo Palhares, resvalou nesta assunto na última quarta-feira quando foi oficializado o patrocínio da Sobam. “Completar cem anos é um marco. Pensamos em criar um selo e junto com todo o marketing já vamos iniciar os trabalhos para a realização de grandes ações”, disse Palhares.
Com a chegada do parceiro Campus Pelé, o departamento de comunicação e marketing do Paulista ganhou um incremento. Junto com Gabriel Goto, Rafael Meirelles e o superintendente Beto Rappa, estão trabalhando Renato Miralla e Rafael Pedreira. “Uma das marcas d projeto Campus Pelé é intensificar o trabalho de marketing do Paulista”, disse Miralla.
Rafael Pedreira, 25 anos, chegou ao clube há pouco tempo. Ele foi aprovado em um criterioso processo seletivo elaborado pelo Campus Pelé. Antes de trabalhar em Jundiaí, Rafael atuava no departamento de marketing do Goiás. Um dos maiores objetivos do novo coordenador de marketing é estruturar o departamento do Galo jundiaiense. “Na verdade o marketing em si nunca foi trabalhado no Paulista. Estamos desenvolvendo ações que envolvem várias frentes para movimentá-lo; aproveitando o gancho, inclusive, desse centenário que está por vir e que com certeza vai empolgar todo torcedor”, disse Rafael. “Ainda não temos definida as ações efetivas que vamos fazer para os cem anos do clube, mas é certo que vai haver uma grande movimentação”, completou.
Se as ações do centenário ainda não estão prontas, Rafael e todo o departamento de marketing querem aproveitar o ano de 2008 para implantar o sócio-torcedor em Jundiaí, publicar um livro sobre a história do clube, lançar diversos produtos licenciados e aproximar a cidade do time. “Vamos desenvolver ações sociais que tragam a sociedade para junto do Paulista. Já há algumas ações em escolas e vamos aprofundar esse trabalho. O licenciamento de produtos também vai acontecer: junto com a Puma (fornecedora de material esportivo do Paulista)  vamos desenvolver bonés, chaveiros, uniformes para crianças, enfim, adereços que todo torcedor gosta. Já há uma aproximação com a Puma e contamos com a Passarela como nosso grande ponto de venda. Deve sair do papel, também, o projeto sócio-torcedor que vai trazer muitos benefícios para quem acompanha de perto o clube”, explicou.
Todas essas ações de marketing permitem, também, que o Paulista comece a vislumbrar um aumento de receitas. “As ações levam a isso. Queremos um incremento na receita, mas lado a lado sempre essa aproximação e identificação do torcedor, da cidade com o Paulista”, afirmou Rafael.


 Escrito por Marcel Capretz às 15h22 [] [envie esta mensagem]




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BRASIL, Sudeste, JUNDIAI, Homem, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Jornalismo Esportivo



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